Em 02/01/2012 o DCE enviou ao Decanato de Gestão de Pessoas – DGP ofício solicitando participação na Comissão sobre situação dos trabalhadores terceirizados da UnB:
Solicitação de participação do DCE na Comissão sobre situação dos trabalhadores terceirizados da UnB.
A Agência UnB veiculou matéria, em 28/12/2011, sob o título “Comissão vai discutir situação dos terceirizados da UnB: Grupo quer resolver problemas no atraso de salários e benefícios. Primeira reunião será em janeiro”[1] da qual informa que uma Comissão foi criada para acompanhar a situação dos trabalhadores terceirizados que prestam serviços na Universidade de Brasília, bem como que a mesma será integrada por representantes dos trabalhadores de cada empresa, Sintfub e decanatos de Gestão de Pessoas (DGP), Administração e Finanças (DAF) e de Planejamento (DPO).
A qualidade de ensino da UnB depende do bom funcionamento da sua esfera administrativa. Quando o Restaurante Universitário é fechado por atraso no pagamento dos trabalhadores terceirizados quem mais é prejudicado com o fato são os estudantes que dependem do RU, vez que cedo ou tarde os trabalhadores terão os seu salários depositados, mas aqueles estudantes que ficaram sem café da manhã, almoço e jantar já tiveram prejuízo no seu rendimento escolar por não ter tido acesso à alimentação regular, de qualidade e economicamente acessível que o RU oferece. Quando agentes de segurança faltam aos seus postos de trabalho e a empresa contratada não faz a cobertura com outro agente a UnB faz o desconto da multa no pagamento da empresa, mas quem mais uma vez sai prejudicado é o estudante que está desprotegido pela ausência do trabalhador. Não faz diferença se a multa está ou não sendo paga, o que importa é a prestação contínua, regular e efetiva do serviço, principalmente no ponto que tange a segurança, que pode significar a perda de um bem material como até da própria vida do estudante.
Ante o exposto, o Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães solicita integrar a Comissão que tratará da situação dos trabalhadores terceirizados para que possa colaborar com as negociações e principalmente garantir que os interesses dos estudantes sejam efetivamente contemplados nas decisões que forem tomadas por esta Comissão.[2]
Em resposta o DGP nos informou que somente a Comissão poderia decidir sobre o pedido.
Comparecemos à reunião do dia 17/01/2012 realizada no Salão de Atos da Reitoria. Apresentamos os argumentos para o deferimento da inclusão de representação estudantil com auxílio de apresentação em Power Point.
Por unanimidade foi permitida a inclusão de um representante do DCE com o respectivo suplente. Essas cadeiras serão ocupadas pelos estudantes Maurício de Freitas Bento – Gestão de Políticas Públicas (titular) e Simone Alves da Silva – Ciência Política (suplente).
Passo agora a relatar brevemente alguns pontos discutidos na reunião:
A reunião foi presidida pela Decana de Gestão de Pessoas a Sra. Gilca Starling. Contou com a presença de representantes dos trabalhadores das 7 (sete) empresas de terceirização; do Diretor da terceirização Magela; da representante do DAF Jane; do Prefeito de Campus Francisco Cassiano Sobrinho; e do Preposto da empresa AST.
1) Posição do DGP sobre a Terceirização
Para o DGP a terceirização na UnB é algo ruim devendo ser estudadas novas formas de contratação de trabalhadores para realização das atividades de limpeza, vigilância entre outras. Segundo a Decana Gilca é necessário outro Sistema que seja adequado às peculiaridades da Universidade de Brasília. A Reitoria da UnB é uma das poucas no país que defende o fim da terceirização.
Foi sugerido pelo Decanato a formação de cooperativa de trabalhadores para que estes se auto organizem e sejam diretamente contratados pela UnB.
Pretende-se a atuação de forma estruturante uma vez que não basta tão-somente trocar as empresas terceirizadas, que às vezes trata-se de uma mudança de seis para meia-dúzia.
A Decana afirmou também que será levada à pauta do CAD o tema da terceirização nas primeiras reuniões do Conselho.
2) Conflito de Competência
O Prefeito de Campus ressaltou que há um conflito de competências entre os vários órgãos da Universidade no tocante a fiscalização das atividades de terceirização. É humanamente impossível que o DGP possa verificar o cumprimento do contrato com a extensão do campus e principalmente porque há trabalhadores nos 4 campi.
Jane do DAF, explicou que o DGP não atua nas licitações e que por esse motivo às vezes ocorre do edital licitatório não atender as especificidades dos órgãos solicitantes, bem como dificulta o planejamento quanto às renovações e términos dos contratos.
3) Grupos de trabalho
Foram estabelecidos grupos de trabalho para tratar de questões específicas a cada empresa. Uma das reuniões aconteceu no dia 21/01 e foi noticiada pela Secom sob o título: “Terceirizados da portaria denunciam irregularidades da PH Service”.[3]
A participação do DCE nos grupos de trabalho ainda não foi definida, mas possuímos grande interesse em participar da organização de um Seminário sobre Terceirização na UnB, bem como acompanhar a elaboração dos novos editais de contratação.
4) As multas contratuais
Infelizmente em que pese as multas contratuais serem razoavelmente altas as empresas preferem pagá-las a cumprir corretamente os contratos. Até porque o dinheiro que é descontado das multas não é do pagamento mensal, mas do valor dado em garantia quando da assinatura do contrato.
O DCE aproveitou esse momento para ratificar que para os estudantes as multas são irrelevantes porque um dia que o RU fica fechado é um prejuízo enorme aos que dependem dele, e é imensurável o dano físico, moral e material da ausência de um vigia para a segurança de todos que freqüentam os campi.
5) Novos editais
O DGP juntamente com o órgão responsável pelas licitações na UnB e dentro dos grupos de trabalho da Comissão elaborará editais de licitação de forma pormenorizada e que atenda o máximo das peculiaridades dos distintos departamentos da Universidade a fim de garantir que um bom contrato será firmado ao termino do certame, bem como evitar que empresas inidôneas vençam a concorrência.
Esses editais para alcançarem os objetivos almejados demandam bastante trabalho e tempo. Jane estima que serão necessários 12 (doze) meses para a conclusão das atividades culminando na contratação da empresa vencedora.
Desta feita os contratos vigentes serão renovados sob a cláusula especial de rescisão quando do termino da licitação dos novos editais, além das cláusulas usuais de inadimplemento contratual.
Importante lembrar que o processo de licitação para o serviço de mão-de-obra do RU já está em andamento. Ainda bem porque a UnB não merece a Monte Sinai que por sinal já foi descredenciada para prestar serviços no âmbito do Hospital Universitário (HUB).
6) Medidas Imediatas
O DGP se comprometeu a interceder junto às empresas sobre questões pontuais apresentadas pelos trabalhadores como a forma de apresentação dos contra-cheques, que são em folha aberta e devem passar para envelope lacrado e demissões irregulares de trabalhadores cumpridores das suas funções.
7) Empresa de Limpeza AST
Ficou estabelecido que o contrato com a empresa de Limpeza AST será rescindido imediatamente com o descredenciamento da empresa e que uma licitação emergencial será aberta para a cobertura dessas atividades, conforme foi noticiado pela Secom na matéria “UnB não renovará contrato com a empresa de limpeza AST.”[4]
Com o descredenciamento a empresa AST estará impedida de participar o novo processo licitatório.
8) Calendário das próximas reuniões
As próximas reuniões da Comissão serão nas seguintes datas: 14/02; 28/02; 13/03 e 10/04. Horário e local a definir.
Algumas considerações sobre a reunião
Agradecemos o reconhecimento de que os estudantes devem se fazer representar em uma Comissão que trata da terceirização, afinal somos os maiores interessados na qualidade dos serviços prestados.
Entendemos que a organização em cooperativas dos trabalhadores não resolve o problema apenas entrega ao trabalhador mais esse encargo.
A terceirização no Brasil e em especial em órgãos públicos é permitida por lei e funciona bem em vários órgãos. Entendemos que é preciso reformular a fiscalização das atividades e sobretudo das empresas quando ao cumprimento do contrato.
Não há que se falar em concurso público para essas funções que já foram extintas dos editais de contratação.
Marcaremos uma reunião com o DGP para estabelecer uma forma de atuação conjunta entre a Administração da Universidade e dos estudantes na fiscalização, algo semelhante a uma ouvidoria.